Foto: Reprodução/Instagram

A Rússia e a Ucrânia intensificaram os ataques nesta terça-feira (17), em mais um capítulo da escalada da guerra. Os dois lados ampliaram o uso de drones e atingiram áreas civis e estruturas estratégicas.

No norte da Ucrânia, um ataque russo matou ao menos dez pessoas na cidade de Petchenihi, na região de Kharkiv. Segundo o presidente Volodimir Zelenski, o bombardeio atingiu uma área com um posto de correio e lojas, cercada por prédios residenciais.

Além disso, autoridades locais informaram que pelo menos 17 pessoas ficaram feridas. Zelenski afirmou que a Ucrânia pretende responder ao ataque.

Ataques contra civis aumentam

A nova sequência de ataques ocorre em um dos períodos mais violentos da guerra para a população civil. Segundo dados do Acled (Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos), julho registrou uma média de 21,8 mortes de civis por dia.

Na véspera, ataques dos dois lados da fronteira deixaram outras dez pessoas mortas. No domingo (16), o número chegou a 19.

Enquanto os ataques contra áreas civis aumentam, os combates no front também ganham força.

Rússia avança em Donetsk

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou nesta terça-feira a tomada de dois vilarejos na região de Donetsk, no leste da Ucrânia: Krasnopodillia e Orikhuvatka.

Krasnopodillia fica perto de Dobropillia, cidade que os russos atacaram com intensidade e que exerce papel importante na ligação com Kramatorsk, um dos principais pontos de apoio das forças ucranianas na região.

Mais ao norte, Orikhuvatka fica a cerca de 15 quilômetros de Sloviansk. Junto com Kramatorsk, a cidade integra o que restou do chamado “cinturão das fortalezas” ucranianas.

Apesar dos avanços russos, a movimentação não indica uma queda iminente dessas cidades. No entanto, o avanço mostra que Moscou voltou a pressionar a defesa ucraniana nessa área.

Kiev amplia ataques com drones

Enquanto a Rússia concentra esforços no leste, a Ucrânia aumentou os ataques contra alvos próximos à capital russa.

Segundo autoridades locais, Kiev lançou 637 drones contra a região de Moscou. As forças russas afirmaram ter interceptado 180 deles durante o voo em direção à capital.

Até o momento, as autoridades não registraram mortes ou grandes danos relacionados ao ataque. Um depósito da Wildberries, uma das maiores empresas de comércio eletrônico da Rússia, voltou a aparecer entre os alvos.

Ucrânia mira logística russa

Além disso, a Ucrânia mantém uma campanha contra estruturas ligadas à logística e ao abastecimento de combustível da Rússia.

Os ataques atingem instalações de distribuição e produção, enquanto algumas regiões russas enfrentam dificuldades para manter o fornecimento de combustíveis.

Segundo o jornal russo Izvestia, apenas 28% dos postos do país tinham diesel e gasolina disponíveis nesta terça-feira. Uma semana antes, o índice chegava a 41%.

Kiev atribui parte dos resultados ao avanço de sua indústria nacional de drones de longo alcance. O país também iniciou a produção do míssil de cruzeiro Flamingo, que, segundo informações divulgadas pelas autoridades ucranianas, pode alcançar alvos a até 3 mil quilômetros.

Por outro lado, relatos apontam que a defesa aérea russa consegue interceptar parte desses mísseis. A revista alemã Focus informou que Moscou utiliza aeronaves-radar A-50 para monitorar os ataques.

Reino Unido amplia apoio militar

Ao mesmo tempo, a Ucrânia recebe novos equipamentos de seus aliados europeus. Analistas citam a chegada dos primeiros lotes de uma encomenda britânica que prevê 150 mil drones.

Entre os equipamentos aparece o Nyan, modelo movido a jato desenvolvido pela BAE Systems. O drone tem alcance estimado de 250 quilômetros e transporta uma carga de até 20 quilos.

Os ucranianos também adquiriram o Ultra, equipamento de reconhecimento produzido pela empresa britânica Windracers.

Diante do uso desses equipamentos contra alvos em território russo, o governo de Vladimir Putin advertiu Londres sobre possíveis consequências.

A reação ocorreu após o jornal britânico Sunday Times publicar uma reportagem sobre o suposto primeiro emprego do Nyan contra a Rússia. O governo britânico não confirmou nem negou a informação. Entretanto, o Ministério da Defesa afirmou que continuará fornecendo equipamentos à Ucrânia.

Apoio ocidental gera tensão

Desde o início da guerra, o fornecimento de armas ocidentais para a Ucrânia provoca debates entre os aliados de Kiev.

Durante o governo Joe Biden, os Estados Unidos impuseram restrições ao uso de determinadas armas ocidentais contra alvos dentro da Rússia, em meio ao temor de uma escalada do conflito. Posteriormente, Washington flexibilizou algumas regras e voltou a rever sua política.

Já o governo de Donald Trump rejeitou o fornecimento de mísseis de cruzeiro Tomahawk para a Ucrânia.

Drone atinge área próxima a Zaporíjia

Ainda nesta terça-feira, um drone atingiu um ponto de ônibus utilizado por funcionários da usina nuclear de Zaporíjia, no sul da Ucrânia.

Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), uma pessoa morreu e outras 15 ficaram feridas. O ataque, porém, não provocou danos às instalações nucleares.

A Rússia atribuiu o ataque às forças ucranianas. Até o momento, os dois lados seguem trocando acusações enquanto ampliam as operações militares em diferentes regiões.

Assim, a guerra entra em mais uma fase de forte pressão sobre a população civil, ao mesmo tempo em que Rússia e Ucrânia ampliam o uso de drones e buscam atingir estruturas estratégicas do adversário.

Redação Fatos Fontes

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