A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou um alerta sobre o uso de medicamentos agonistas do receptor GLP-1 por crianças e adolescentes. Popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, esses medicamentos possuem indicações específicas e exigem acompanhamento médico.
Uso sem acompanhamento pode trazer riscos
Segundo a SBP, o uso inadequado desses medicamentos pode aumentar a frequência e a gravidade dos efeitos adversos. Entre os principais riscos estão desidratação, alterações nos eletrólitos, perda de massa muscular e problemas no crescimento e desenvolvimento.
Além disso, os medicamentos podem provocar pancreatite e problemas na vesícula biliar. Por isso, a entidade recomenda que médicos acompanhem os pacientes durante todo o tratamento.
Efeitos colaterais mais comuns
Os efeitos adversos mais frequentes envolvem o sistema gastrointestinal. Durante o aumento gradual da dose, o paciente pode apresentar:
- náuseas;
- vômitos;
- refluxo;
- azia;
- diarreia;
- constipação.
Além desses sintomas, a SBP classifica pancreatite, hipoglicemia e colelitíase entre os eventos potencialmente graves.
Uso estético preocupa especialistas
A SBP também chama atenção para o uso dos medicamentos com finalidade exclusivamente estética. Segundo a entidade, adolescentes com peso adequado não devem usar essas substâncias apenas para mudar a aparência corporal.
Nesse sentido, o uso sem indicação pode contribuir para uma relação inadequada com a alimentação e com a própria imagem. Além disso, a entidade alerta para a possibilidade de transtornos alimentares, ansiedade e depressão relacionados à imagem corporal.
SBP alerta contra produtos sem procedência
Outro ponto importante envolve a procedência dos medicamentos. A SBP contraindica o uso de produtos clandestinos, manipulados ou importados sem registro sanitário na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Portanto, a orientação é utilizar somente medicamentos regularizados e prescritos por profissionais habilitados.
Prescrição precisa de avaliação médica
Mesmo quando o paciente apresenta obesidade ou diabetes tipo 2, o médico não deve prescrever o medicamento automaticamente. Antes de iniciar o tratamento, o profissional precisa avaliar a gravidade da doença, a existência de outras condições, os tratamentos realizados anteriormente e os possíveis riscos.
Além disso, o médico deve considerar a capacidade de acompanhamento do paciente e as expectativas da família.
Medicamento deve ter objetivo de melhorar a saúde
Por fim, a SBP recomenda substituir a expressão “canetas emagrecedoras” por “medicamentos para tratar a obesidade”. De acordo com a entidade, essa denominação é mais precisa porque reforça que a obesidade é uma doença crônica.
Dessa forma, o tratamento deve buscar melhorar a saúde e a qualidade de vida do paciente, e não apenas promover a perda de peso. A entidade ressalta que os medicamentos podem apresentar eficácia e segurança em adolescentes quando os profissionais utilizam essas substâncias dentro dos critérios médicos estudados e com acompanhamento adequado.

