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O mercado brasileiro de medicamentos injetáveis para diabetes tipo 2 e obesidade ganhou novas opções em 2026. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro de novos produtos à base de semaglutida e liraglutida, ampliando a oferta de canetas disponíveis para os pacientes.

A mudança ganhou força após o fim da proteção patentária da semaglutida no país, em março. Desde então, diferentes fabricantes passaram a buscar espaço no mercado com medicamentos genéricos e similares.

No entanto, a chegada de novas marcas não significa que o paciente possa trocar um produto por outro livremente. Além disso, médicos recomendam que a escolha considere o quadro clínico, os objetivos do tratamento, os efeitos colaterais e a capacidade de manter o medicamento pelo período necessário.

Tratamento exige avaliação individual

A endocrinologista Bruna Marinho, coordenadora do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Felício Rocho, em Ribeirão Preto, explica que diversos fatores entram na decisão.

Segundo a especialista, o médico precisa analisar o diagnóstico, a necessidade de perda de peso, outras doenças presentes, os estudos disponíveis sobre cada medicamento e a possibilidade de manter o tratamento por longo prazo.

Esse último aspecto ganha importância porque diabetes e obesidade exigem acompanhamento contínuo. Dessa forma, um medicamento que apresente maior potencial de perda de peso pode não representar a melhor escolha se o paciente não conseguir manter o custo durante o tratamento.

Além disso, os efeitos adversos também influenciam a decisão. Como essas substâncias atuam no sistema gastrointestinal, podem provocar náuseas, dores abdominais, refluxo, constipação e alterações no funcionamento intestinal.

Semaglutida lidera expansão do mercado

Entre as novas opções, a semaglutida concentra a maior parte dos registros. A substância ganhou notoriedade principalmente por meio do Ozempic e do Wegovy, medicamentos da farmacêutica Novo Nordisk.

A semaglutida imita a ação do GLP-1, hormônio que participa do controle da glicose e da saciedade. Ao ativar os receptores desse hormônio, a substância ajuda a controlar a glicemia, reduz o apetite e aumenta a sensação de saciedade.

Até março, a Novo Nordisk concentrava a fabricação de medicamentos com semaglutida no Brasil. Com o fim da exclusividade em 20 de março, outras empresas passaram a disputar esse mercado.

Em maio, a Anvisa registrou o Ozivy, da EMS. O produto se tornou o primeiro medicamento à base de semaglutida registrado após o fim da patente e recebeu indicação para adultos com diabetes tipo 2 que não conseguem controlar adequadamente a doença.

Posteriormente, a agência ampliou ainda mais a lista de opções.

Dez produtos de semaglutida chegam ao mercado

Ao longo de 2026, a Anvisa aprovou dez medicamentos à base de semaglutida.

Entre eles estão o Ozivy, da EMS; o Semavy, da Cosmed; o Owozy, da Ávita Care; o Zempneo, da Brainfarma; o Seemasun, da Sun Farmacêutica; e o Orsema, da Ranbaxy.

Além desses produtos, a agência também autorizou versões genéricas da semaglutida produzidas pela EMS e pela Germed. A Germed ainda recebeu autorização para comercializar o Semaclique, enquanto a EMS registrou o Yluméc como medicamento similar na modalidade clone.

Confira os produtos aprovados em 2026:

  • Ozivy — EMS
  • Semavy — Cosmed
  • Owozy — Ávita Care
  • Zempneo — Brainfarma
  • Seemasun — Sun Farmacêutica
  • Orsema — Ranbaxy
  • Semaglutida genérica — EMS
  • Semaclique — Germed
  • Semaglutida genérica — Germed
  • Yluméc — EMS

Preços podem cair com a concorrência

A entrada de novos fabricantes também pode mexer com os preços. Atualmente, o Ozempic custa entre R$ 975 e R$ 999, dependendo da apresentação e das condições comerciais.

Já o Ozivy chegou às farmácias com valores anunciados entre R$ 452 e R$ 498 por caneta.

A legislação brasileira determina que os medicamentos genéricos tenham preço pelo menos 35% inferior ao produto de referência. Com base nos valores de lançamento do Ozivy, os futuros genéricos poderiam alcançar preços estimados entre R$ 293 e R$ 323.

Entretanto, os registros da Anvisa não significam chegada imediata às farmácias. Antes da comercialização, os fabricantes ainda precisam cumprir outras etapas, incluindo a definição do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Liraglutida também ganha novas opções

A concorrência não cresceu apenas no segmento da semaglutida. A liraglutida também recebeu novos registros no Brasil.

A Anvisa aprovou dois medicamentos genéricos de liraglutida produzidos pela EMS para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.

Os produtos utilizam como referência o Olire e o Linux, também da EMS. A empresa lançou os dois medicamentos no mercado no fim de 2025.

O Olire atende ao tratamento da obesidade, enquanto o Linux possui indicação para diabetes tipo 2. Ambos utilizam canetas de 6 mg e aparecem em grandes redes de farmácias com preços a partir de aproximadamente R$ 84.

Aplicação diária diferencia liraglutida

Apesar de pertencer à mesma família de medicamentos que atua sobre o GLP-1, a liraglutida apresenta uma diferença prática importante.

Enquanto a semaglutida e a tirzepatida costumam exigir apenas uma aplicação semanal, a liraglutida normalmente exige aplicação diária.

O endocrinologista Júlio Américo Batatinha, doutorando no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, considera essa frequência um dos fatores que reduziram o espaço da liraglutida diante das opções mais recentes.

Segundo o especialista, a liraglutida apresenta bom efeito sobre o diabetes e pode ajudar na perda de peso. Porém, a necessidade de aplicações diárias dificulta a rotina de alguns pacientes.

Mounjaro continua como única opção de tirzepatida

Outro medicamento que ganhou destaque nos últimos anos é o Mounjaro, da Eli Lilly. O produto utiliza a tirzepatida, substância que atua simultaneamente sobre os hormônios GLP-1 e GIP.

Por esse motivo, a tirzepatida apresenta um mecanismo diferente daquele utilizado pela semaglutida e pela liraglutida.

Atualmente, o Mounjaro continua como a única opção de tirzepatida aprovada pela Anvisa no Brasil. A substância ainda possui proteção patentária no país, o que impede a entrada de versões genéricas neste momento.

Dulaglutida segue no mercado

A dulaglutida completa o grupo de medicamentos que atuam sobre o receptor de GLP-1. No Brasil, o principal produto de referência dessa substância é o Trulicity, da Eli Lilly, indicado para o tratamento do diabetes tipo 2.

Até o momento, o mercado brasileiro não conta com versões genéricas ou similares da dulaglutida, que continua sob proteção patentária.

De acordo com Batatinha, a substância apresenta menor potência para redução de peso quando comparada à semaglutida e à tirzepatida. Por isso, medicamentos mais recentes ganharam espaço entre pacientes que também buscam o controle do peso.

Médico deve orientar qualquer troca

Com a ampliação da oferta, o paciente passa a encontrar mais alternativas nas farmácias. Ainda assim, especialistas reforçam que o preço não deve representar o único critério para escolher um medicamento.

A endocrinologista Alana Rocha, professora de endocrinologia da Afya Educação Médica Vitória, destaca a importância de analisar as doenças associadas e a tolerância de cada paciente ao tratamento.

Por exemplo, uma pessoa com obesidade e diabetes pode apresentar necessidades diferentes de alguém que busca apenas o controle do peso. Da mesma forma, problemas cardíacos, hepáticos ou gastrointestinais podem influenciar a escolha.

Portanto, a expansão do mercado aumenta as possibilidades de tratamento, mas também exige mais atenção na hora da escolha. A orientação médica continua fundamental para definir qual medicamento apresenta o melhor equilíbrio entre eficácia, segurança, tolerabilidade e possibilidade de manutenção a longo prazo.

Redação Fatos Fontes

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