Um acidente recente em Santos envolvendo um motorista idoso voltou a chamar a atenção para um assunto que preocupa muitas famílias: até que idade uma pessoa pode dirigir com segurança e dentro da lei?
A resposta depende menos da idade e mais das condições de cada motorista. Isso porque o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não estabelece uma idade máxima para dirigir.
No entanto, a legislação aumenta a frequência dos exames médicos para quem chega aos 70 anos. Dessa forma, o motorista precisa acompanhar com mais atenção fatores como visão, reflexos e condições cognitivas.
Lei não estabelece idade máxima para dirigir
Segundo informações da Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos (CET-Santos), o CTB não determina que o motorista deixe de dirigir ao atingir determinada idade.
Portanto, completar 70, 80 ou mais anos não significa, automaticamente, perder o direito de conduzir um veículo.
O que muda, principalmente a partir dos 70 anos, é o prazo para renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Renovação da CNH fica mais frequente após os 70
Para motoristas com 70 anos ou mais, o prazo máximo de validade da CNH passa para três anos.
Além disso, o médico responsável pelo exame de aptidão pode determinar um período ainda menor. A decisão considera as condições apresentadas pelo motorista durante a avaliação.
Entre os aspectos analisados estão:
-
visão;
-
reflexos;
-
condições físicas;
-
capacidade cognitiva;
-
possíveis limitações que comprometam a condução.
Assim, o exame médico tem papel fundamental para avaliar se o motorista reúne condições para continuar dirigindo.
Ter 80 anos não exige nova prova prática
Uma dúvida comum envolve os motoristas que chegam aos 80 anos.
Segundo a CET-Santos, a legislação não exige uma nova prova prática apenas porque o condutor completou 80 anos.
“A legislação brasileira estabelece critérios específicos a partir dos 70 anos, sem abrir uma categoria à parte aos 80. Não há obrigação automática de refazer a prova prática apenas pelo fator cronológico da idade; o crivo central é a avaliação médica pericial”, explica a CET-Santos.
Dessa maneira, a idade, sozinha, não determina o fim da habilitação.
Medicamentos podem interferir na direção
Além da idade, o motorista precisa observar os efeitos dos medicamentos que utiliza.
Alguns remédios podem causar sonolência, tontura, confusão ou diminuir a velocidade dos reflexos. Por isso, o condutor deve consultar a bula e conversar com o médico sobre possíveis efeitos que possam comprometer a direção.
A família também pode acompanhar esse cuidado, principalmente quando o idoso utiliza vários medicamentos diariamente.
Pequenos cuidados ajudam a reduzir riscos
Além do acompanhamento médico, o motorista pode adotar medidas simples para tornar os deslocamentos mais seguros.
Antes de sair, por exemplo, vale ajustar o banco, os espelhos e o encosto de cabeça. Durante o trajeto, o motorista deve manter uma distância maior do veículo da frente.
Também é importante evitar situações que aumentem o risco.
Entre elas estão:
-
dirigir em horários de trânsito muito intenso;
-
pegar a estrada quando estiver cansado;
-
dirigir à noite quando houver dificuldade de enxergar;
-
sair durante chuvas fortes quando a visibilidade estiver prejudicada;
-
conduzir o veículo após utilizar medicamentos que afetem os reflexos.
Com esses cuidados, o motorista consegue adaptar a rotina às próprias condições.
Família precisa conversar sobre o momento de parar
Para muitos idosos, dirigir representa independência. O carro permite ir ao médico, fazer compras, visitar familiares e cumprir compromissos sem depender de outras pessoas.
Por isso, conversar sobre a possibilidade de parar de dirigir pode gerar resistência.
Nesse momento, a família pode buscar apoio em avaliações médicas e nos exames exigidos pelo Detran. Dessa forma, o diálogo ganha um parâmetro técnico e evita que a decisão pareça apenas uma imposição dos familiares.
A questão principal deve ser a segurança do próprio motorista e das demais pessoas que circulam pelas ruas.
Idosos também precisam de atenção como pedestres
Os cuidados com a terceira idade não terminam quando o motorista deixa o volante.
Dados do sistema Infosiga SP apontam a preocupação com atropelamentos envolvendo idosos na Baixada Santista. A travessia de avenidas movimentadas exige atenção redobrada, principalmente em locais com grande fluxo de veículos.
Por isso, o cuidado precisa partir dos dois lados.
O pedestre deve procurar locais seguros para atravessar e respeitar a sinalização. Já os motoristas precisam reduzir a velocidade e dar preferência aos pedestres nas faixas.
Quando é hora de deixar o volante?
Não existe uma idade específica que determine quando um idoso deve parar de dirigir.
A decisão precisa considerar as condições físicas e cognitivas do motorista, além de possíveis alterações na visão, nos reflexos e nos efeitos de medicamentos.
Assim, o principal critério não é simplesmente a idade, mas a capacidade de dirigir com segurança.
O acompanhamento médico e a renovação periódica da CNH ajudam a identificar mudanças e permitem que cada motorista avalie, com orientação profissional, o momento mais adequado para continuar ou deixar a direção.

