Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Um acidente recente em Santos envolvendo um motorista idoso voltou a chamar a atenção para um assunto que preocupa muitas famílias: até que idade uma pessoa pode dirigir com segurança e dentro da lei?

A resposta depende menos da idade e mais das condições de cada motorista. Isso porque o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não estabelece uma idade máxima para dirigir.

No entanto, a legislação aumenta a frequência dos exames médicos para quem chega aos 70 anos. Dessa forma, o motorista precisa acompanhar com mais atenção fatores como visão, reflexos e condições cognitivas.

Lei não estabelece idade máxima para dirigir

Segundo informações da Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos (CET-Santos), o CTB não determina que o motorista deixe de dirigir ao atingir determinada idade.

Portanto, completar 70, 80 ou mais anos não significa, automaticamente, perder o direito de conduzir um veículo.

O que muda, principalmente a partir dos 70 anos, é o prazo para renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Renovação da CNH fica mais frequente após os 70

Para motoristas com 70 anos ou mais, o prazo máximo de validade da CNH passa para três anos.

Além disso, o médico responsável pelo exame de aptidão pode determinar um período ainda menor. A decisão considera as condições apresentadas pelo motorista durante a avaliação.

Entre os aspectos analisados estão:

  • visão;

  • reflexos;

  • condições físicas;

  • capacidade cognitiva;

  • possíveis limitações que comprometam a condução.

Assim, o exame médico tem papel fundamental para avaliar se o motorista reúne condições para continuar dirigindo.

Ter 80 anos não exige nova prova prática

Uma dúvida comum envolve os motoristas que chegam aos 80 anos.

Segundo a CET-Santos, a legislação não exige uma nova prova prática apenas porque o condutor completou 80 anos.

“A legislação brasileira estabelece critérios específicos a partir dos 70 anos, sem abrir uma categoria à parte aos 80. Não há obrigação automática de refazer a prova prática apenas pelo fator cronológico da idade; o crivo central é a avaliação médica pericial”, explica a CET-Santos.

Dessa maneira, a idade, sozinha, não determina o fim da habilitação.

Medicamentos podem interferir na direção

Além da idade, o motorista precisa observar os efeitos dos medicamentos que utiliza.

Alguns remédios podem causar sonolência, tontura, confusão ou diminuir a velocidade dos reflexos. Por isso, o condutor deve consultar a bula e conversar com o médico sobre possíveis efeitos que possam comprometer a direção.

A família também pode acompanhar esse cuidado, principalmente quando o idoso utiliza vários medicamentos diariamente.

Pequenos cuidados ajudam a reduzir riscos

Além do acompanhamento médico, o motorista pode adotar medidas simples para tornar os deslocamentos mais seguros.

Antes de sair, por exemplo, vale ajustar o banco, os espelhos e o encosto de cabeça. Durante o trajeto, o motorista deve manter uma distância maior do veículo da frente.

Também é importante evitar situações que aumentem o risco.

Entre elas estão:

  • dirigir em horários de trânsito muito intenso;

  • pegar a estrada quando estiver cansado;

  • dirigir à noite quando houver dificuldade de enxergar;

  • sair durante chuvas fortes quando a visibilidade estiver prejudicada;

  • conduzir o veículo após utilizar medicamentos que afetem os reflexos.

Com esses cuidados, o motorista consegue adaptar a rotina às próprias condições.

Família precisa conversar sobre o momento de parar

Para muitos idosos, dirigir representa independência. O carro permite ir ao médico, fazer compras, visitar familiares e cumprir compromissos sem depender de outras pessoas.

Por isso, conversar sobre a possibilidade de parar de dirigir pode gerar resistência.

Nesse momento, a família pode buscar apoio em avaliações médicas e nos exames exigidos pelo Detran. Dessa forma, o diálogo ganha um parâmetro técnico e evita que a decisão pareça apenas uma imposição dos familiares.

A questão principal deve ser a segurança do próprio motorista e das demais pessoas que circulam pelas ruas.

Idosos também precisam de atenção como pedestres

Os cuidados com a terceira idade não terminam quando o motorista deixa o volante.

Dados do sistema Infosiga SP apontam a preocupação com atropelamentos envolvendo idosos na Baixada Santista. A travessia de avenidas movimentadas exige atenção redobrada, principalmente em locais com grande fluxo de veículos.

Por isso, o cuidado precisa partir dos dois lados.

O pedestre deve procurar locais seguros para atravessar e respeitar a sinalização. Já os motoristas precisam reduzir a velocidade e dar preferência aos pedestres nas faixas.

Quando é hora de deixar o volante?

Não existe uma idade específica que determine quando um idoso deve parar de dirigir.

A decisão precisa considerar as condições físicas e cognitivas do motorista, além de possíveis alterações na visão, nos reflexos e nos efeitos de medicamentos.

Assim, o principal critério não é simplesmente a idade, mas a capacidade de dirigir com segurança.

O acompanhamento médico e a renovação periódica da CNH ajudam a identificar mudanças e permitem que cada motorista avalie, com orientação profissional, o momento mais adequado para continuar ou deixar a direção.

Redação Fatos Fontes

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