O Porto de Santos iniciou o abastecimento regular de navios com etanol, combustível renovável que pode reduzir as emissões de carbono no transporte marítimo. A primeira operação dessa nova etapa ocorreu na segunda-feira (19), com o navio porta-contêineres CMA CGM IRON, que tem capacidade para 13 mil TEU e motor certificado para utilizar o combustível.
A iniciativa reúne a CMA CGM, a Copersucar, a Bunker One e a Autoridade Portuária de Santos (APS). As empresas pretendem transformar a experiência pioneira realizada em julho em um modelo comercial regular, com novos abastecimentos previstos até o fim de 2026.
Etanol amplia alternativas para a navegação
A CMA CGM busca ampliar o uso de combustíveis com menor intensidade de carbono e acelerar a transição energética no setor marítimo. Segundo Giovani Grassi, CEO da empresa no Brasil, a nova fase demonstra a viabilidade do abastecimento com etanol em escala comercial.
A Copersucar fornece o combustível utilizado nas operações e destaca a capacidade produtiva brasileira e os critérios de sustentabilidade da cadeia da cana-de-açúcar. A empresa informa que a expansão da cultura ocorre predominantemente em áreas de pastagens degradadas e cita o RenovaBio como instrumento de incentivo à sustentabilidade e ao combate ao desmatamento.
A companhia estima que a substituição de 10% da demanda global por combustíveis marítimos, superior a 270 bilhões de litros por ano, poderia abrir um mercado adicional de aproximadamente 50 bilhões de litros anuais de etanol, considerando a equivalência energética entre os combustíveis.
Operação reúne empresas na cadeia logística
A cadeia logística envolve a produção, o transporte, o armazenamento e o abastecimento do etanol. As usinas associadas à Copersucar produzem o combustível, enquanto a Evolua Etanol realiza o transporte até o Porto de Santos. A AGEO Terminais cuida do armazenamento.
No terminal da Santos Brasil, a Bunker One desenvolveu um protocolo específico para o abastecimento. A empresa conduziu estudos e treinamentos durante meses para preparar as equipes e estabelecer procedimentos de segurança, considerando o baixo ponto de fulgor do etanol.
Antônio Carlos Sepúlveda, diretor-presidente da Santos Brasil, destacou a contribuição da iniciativa para reduzir a pegada de carbono das operações portuárias e dos clientes da empresa.
Flavio Ribeiro, CEO da Bunker One LatAm, ressaltou a experiência brasileira na produção de etanol e o potencial do Porto de Santos para atender armadores interessados em reduzir as emissões de suas embarcações.
O presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, também enfatizou a importância da parceria para o desenvolvimento sustentável da navegação e do comércio internacional.
Frota mundial pode impulsionar mercado até 2030
A expansão do etanol no transporte marítimo depende também da disponibilidade de embarcações com motores compatíveis. Dados da Det Norske Veritas (DNV), citados pelas empresas envolvidas, indicam que 159 navios já operam com motores preparados para metanol, tecnologia que também pode permitir o uso de etanol.
Além disso, mais de 450 embarcações com essa tecnologia têm entrega prevista até 2030. O crescimento da frota pode ampliar a demanda por combustíveis alternativos e criar novas oportunidades para o etanol brasileiro no mercado internacional.

