Foto: Arquivo/Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O uso de corticoides sem acompanhamento médico pode aumentar o risco de glaucoma e causar danos permanentes à visão. Por isso, a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) alerta para os perigos da automedicação e para o acesso facilitado a medicamentos que contêm essas substâncias.

Atualmente, cerca de 1,7 milhão de brasileiros convivem com o glaucoma. A doença danifica o nervo óptico, figura entre as principais causas de cegueira no mundo e, muitas vezes, avança sem apresentar sintomas nos estágios iniciais.

Além disso, colírios, pomadas, comprimidos e outros medicamentos com corticoides podem elevar a pressão ocular quando a pessoa utiliza esses produtos por longos períodos sem orientação médica. Isso acontece porque os corticoides dificultam a drenagem do líquido natural dos olhos. Como consequência, a pressão intraocular aumenta e eleva o risco de glaucoma.

Segundo o presidente da SBG, Roberto Murad Vessani, o uso prolongado de corticoides representa um importante fator de risco, especialmente para pessoas que já têm glaucoma ou apresentam predisposição para desenvolver a doença.

Além dos prejuízos à saúde ocular, o uso indiscriminado de corticoides também pode aumentar a glicose no sangue, descontrolar o diabetes, elevar a pressão arterial, causar retenção de líquidos, favorecer o ganho de peso e enfraquecer os ossos. Da mesma forma, esses medicamentos podem aumentar a vulnerabilidade a infecções.

Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) enviaram uma nota pública às autoridades de saúde. Com isso, as entidades buscam ampliar o controle sobre a venda de medicamentos com corticoides.

Além disso, as instituições defendem regras semelhantes às aplicadas aos antibióticos, que exigem prescrição médica e monitoramento da dispensação. Dessa forma, o setor de saúde pode reduzir a automedicação e evitar complicações que colocam a visão em risco.

Os especialistas também recomendam acompanhamento oftalmológico regular para pacientes que utilizam corticoides por períodos prolongados. A orientação vale principalmente para idosos, crianças e pessoas com histórico familiar de glaucoma.

Por fim, campanhas de conscientização buscam informar a população e os profissionais de saúde sobre os riscos do uso contínuo de corticoides. Assim, as entidades pretendem reduzir casos de glaucoma relacionados à automedicação e proteger a saúde visual dos brasileiros.

Redação Fatos Fontes

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