A trajetória das marisqueiras da Ilha Diana, em Santos, ganhou destaque no documentário Marisqueiras da Ilha Diana: Tradição e Resistência Caiçara. O curta-metragem registra histórias, saberes e tradições de mulheres que dedicaram a vida à pesca artesanal do marisco bico de ouro. Além disso, a produção valoriza a cultura caiçara e fortalece a memória da comunidade.
Produzido pela ONG Vida Caiçara em parceria com a Malagueta Produções, o documentário apresenta o cotidiano das marisqueiras. Além disso, mostra a importância da preservação dos conhecimentos transmitidos entre gerações. Dessa forma, a obra evidencia a relação dessas mulheres com o manguezal, o meio ambiente e a cultura tradicional da região.
Segundo o idealizador do projeto e morador da Ilha Diana, Alexandre Lima, o filme busca revelar a dedicação necessária para manter viva essa atividade centenária.
“O documentário revela a força e a garra das pescadoras do marisco bico de ouro, que o recolhem um a um até atingir 10 ou 20 quilos. É uma pesca difícil, realizada dentro da lama do mangue, mas que essas mulheres fazem sorrindo e com muito amor”, destaca Alexandre Lima.
Cultura caiçara e tradição preservada
A Ilha Diana é uma das comunidades caiçaras mais tradicionais da Baixada Santista. Ao longo dos anos, seus moradores preservaram costumes ligados à pesca artesanal. Além disso, mantiveram viva a culinária típica e o modo de vida em contato com a natureza.
O documentário mostra que a coleta do marisco bico de ouro vai muito além da atividade econômica. Na prática, ela representa uma herança cultural construída por gerações de famílias que vivem às margens do estuário de Santos.
Entre as personagens retratadas está Hermínia Gonçalves Biscardi, conhecida como Tia Mina. Aos 89 anos, ela se tornou um símbolo da resistência caiçara. Além disso, representa a preservação de tradições que seguem vivas na comunidade.
O filme também reúne depoimentos de Irene de Souza Quirino, Rosemary de Souza, Débora Gomes e Tatiane Quirino. Juntas, elas compartilham experiências ligadas à pesca artesanal e à vida no mangue.
Homenagem às mulheres da Ilha Diana
De acordo com Alexandre Lima, a produção nasceu como forma de valorizar o trabalho das marisqueiras. Além disso, busca mostrar ao público a realidade por trás de um dos pratos mais tradicionais da comunidade.
“O filme foi uma homenagem a elas por serem tão guerreiras. Os turistas que visitam a Ilha Diana saboreiam o lambe-lambe e o vinagrete de mariscos, mas muitas vezes não imaginam a dificuldade que existe para retirar cada marisco do mangue. Mostrar essa realidade valoriza não apenas a pesca artesanal e a força dessas mulheres, mas também a culinária caiçara que elas ajudam a manter viva”, afirma.
A direção é da cineasta santista Sirley Franco. Com um olhar sensível, ela apresenta a rotina das marisqueiras. Ao mesmo tempo, destaca o protagonismo feminino, os vínculos familiares e a conexão da comunidade com o manguezal.
Registro histórico para futuras gerações
O projeto foi viabilizado por meio do PROMICULT Santos – Programa Municipal de Incentivo Cultural. Além disso, contou com o apoio da DP World.
Mais do que um documentário, a obra se transforma em um importante registro da memória caiçara santista. Dessa forma, contribui para preservar histórias que poderiam se perder ao longo do tempo.
Além de preservar memórias, o filme reforça a importância do reconhecimento das comunidades tradicionais. Da mesma forma, destaca a valorização da cultura caiçara como patrimônio cultural de Santos e da Baixada Santista. Portanto, a produção se consolida como um registro histórico para as futuras gerações.

