A professora Paula Fernanda Souza, de 42 anos, votou tranquilamente por volta das 13h deste domingo (25), em Salvador. No entanto, horas depois, ela presenciou problemas em locais de votação. Segundo a professora, alguns eleitores chegaram às escolas e encontraram os portões fechados.
A situação ocorreu mesmo após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, prorrogar a votação por duas horas, até as 19h.
Eleitores encontram locais fechados
Paula relatou o problema no Colégio Aliomar Baleeiro.
“Crime eleitoral aqui no Colégio Aliomar Baleeiro. Encerraram as urnas às 17h, sendo que a votação foi prorrogada em todo o Brasil. Foi definido que as urnas fossem fechadas às 19h. Isso está errado”, afirmou.
Além disso, a professora contou que muitos eleitores enfrentaram dificuldades para conseguir transporte público. Como tinha carro próprio, ela ofereceu carona às pessoas que esperavam nos pontos de ônibus.
“Muita gente foi embora. As pessoas chegaram a ficar uma hora em pé esperando, do lado de fora das escolas, com os portões já fechados”, relatou.
O técnico químico Alfredo Santos Júnior, de 44 anos, também denunciou problemas. Segundo ele, várias escolas que funcionavam como locais de votação fecharam às 17h.
“Não estão respeitando a decisão do STF”, declarou.
Alfredo acrescentou que vários ônibus passavam pelos pontos sem parar, apesar da determinação para retomar toda a frota. Por isso, algumas pessoas começaram a oferecer carona aos eleitores.
Prefeito comenta problemas no transporte
Diante das reclamações, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, comentou as dificuldades no transporte público durante o segundo turno.
Segundo ele, a prefeitura já oferecia transporte gratuito nas eleições antes mesmo da decisão judicial. No entanto, problemas operacionais nas garagens e mobilizações políticas atrasaram a saída dos ônibus.
“A frota está aí, à disposição, rodando”, afirmou o prefeito.
Procon registra 544 ônibus parados
Enquanto os eleitores relatavam dificuldades, o Procon da Bahia contabilizou pelo menos 544 ônibus parados em cinco garagens de Salvador. O órgão recebeu denúncias sobre bloqueios que impediam a saída dos veículos. A Secretaria de Comunicação Social do governo estadual confirmou a informação.
Diante desse cenário, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou a retomada imediata de toda a frota de ônibus. Além disso, exigiu frequência semelhante à dos dias úteis e manteve a gratuidade do transporte público.
Justiça determina prisão de secretário
O presidente do TRE-BA, Maurício Kertzman Szporer, também determinou que a Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) prendesse o secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza.
Após a decisão, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, informou, na rede social X, que colocou a Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública à disposição. O objetivo era identificar policiais com habilitação da categoria D, que permite dirigir ônibus, caso precisassem assumir os veículos.
Por fim, a prefeitura de Salvador informou que ordenou a liberação de todos os ônibus das garagens. A medida também incluiu veículos com adesivos considerados propaganda irregular. Segundo a administração municipal, a decisão buscou facilitar o deslocamento dos eleitores durante a votação.

