O navio oceanográfico Professor W. Besnard deixou o Porto de Santos, no litoral de São Paulo, nesta sexta-feira (23), sete meses após adernar no cais do Valongo. A embarcação seguiu para um estaleiro em Guarujá, onde especialistas vão avaliar as condições da estrutura e a possibilidade de recuperação.
A operação mobilizou 80 profissionais e quatro rebocadores. A Autoridade Portuária de Santos (APS) e a empresa Marfort Serviços Marítimos coordenaram os trabalhos, que duraram cerca de uma hora.
Operação retira embarcação após meses de espera
O Professor W. Besnard adernou em 13 de março, após a entrada de água da chuva. Na época, o Instituto do Mar (Imar) já havia recebido a embarcação por meio de uma doação. O navio permanecia fora de operação desde 2008 e passava por reformas.
Após o acidente, a APS contratou emergencialmente a Marfort por R$ 8,6 milhões para retirar a embarcação do cais. Inicialmente, as equipes planejavam transportá-la até um estaleiro em maio. Entretanto, o cronograma sofreu atrasos, e o prazo contratual de 23 de setembro também terminou sem a conclusão da operação.
Perícia vai avaliar possibilidade de recuperação
No estaleiro, localizado no distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, o perito avaliará as condições do casco e determinará se o navio poderá voltar a navegar.
Em abril, o presidente da APS, Anderson Pomini, explicou que a análise deverá esclarecer se a estrutura permite apenas a recuperação da flutuabilidade ou se também possibilita a retomada da navegação.
Em junho, a Marfort concluiu a reflutuação do navio no cais do Parque Valongo, com o auxílio de um guindaste e bombas de sucção. Desde então, a empresa e a APS acompanhavam as condições da embarcação até a retirada desta sexta-feira.
Navio marcou a história da pesquisa científica brasileira
O Professor W. Besnard tem 49,3 metros de comprimento e chegou ao mar em 1966, após uma encomenda do governo paulista.
Ao longo de sua trajetória, o navio percorreu a costa brasileira, realizou expedições ao arquipélago de Cabo Verde e participou de mais de 260 viagens voltadas à formação de pesquisadores. Durante essas atividades, a embarcação passou por mais de 10 mil pontos de coleta para estudos científicos.
Além disso, o Besnard transportou as primeiras equipes brasileiras de pesquisa à Antártica, contribuindo para o desenvolvimento da ciência nacional.
Na década de 1990, o navio passou por duas reformas. Entretanto, um grande incêndio em 2008 interrompeu suas atividades e o manteve fora de operação.
Agora, a perícia técnica deverá esclarecer se a embarcação histórica poderá voltar a navegar ou se a recuperação ficará restrita à preservação de sua estrutura.

