Foto: Divulgação/Governo de SP

Exames de sangue que analisam biomarcadores associados ao Alzheimer já chegaram ao Brasil. Na rede particular, os testes custam entre R$ 1.800 e R$ 5.000, conforme a metodologia e o laboratório.

No entanto, o exame não serve para qualquer pessoa. Especialistas recomendam o teste principalmente para pacientes que apresentam sinais de comprometimento cognitivo e já passaram por uma avaliação médica.

Exame ajuda na investigação

Os testes analisam substâncias relacionadas ao Alzheimer, principalmente a beta-amiloide e proteínas tau. Entre elas, a p-tau217 ganhou destaque por apresentar alta precisão na identificação da doença.

Assim, o resultado pode ajudar o médico a entender se os sintomas do paciente têm relação com o Alzheimer. Porém, o exame não substitui a consulta, a avaliação da memória e os testes cognitivos.

Além disso, pessoas sem sintomas não devem procurar o teste apenas para descobrir se poderão desenvolver a doença no futuro.

Teste custa até R$ 5 mil

Atualmente, laboratórios particulares oferecem diferentes opções de exames. Alguns analisam apenas a p-tau217, enquanto outros combinam diferentes biomarcadores.

Por exemplo, o exame Precivity AD2, oferecido pelo Fleury, combina marcadores de beta-amiloide e proteína tau. O laboratório informa que coleta o sangue no Brasil e realiza a análise nos Estados Unidos. O teste custa cerca de R$ 4.400.

Já o laboratório Richet, da Rede D’Or, oferece um exame de p-tau217 por aproximadamente R$ 1.800. Na rede Dasa, os preços variam conforme o tipo de teste e podem chegar a R$ 4.500.

Quando o médico indica?

Antes de pedir o exame, o médico avalia os sintomas, o histórico do paciente e o desempenho em testes de memória e outras funções cognitivas.

Dessa forma, o exame de sangue entra como uma ferramenta complementar. Ele pode ajudar principalmente quando o médico precisa confirmar a presença de alterações relacionadas ao Alzheimer.

Por outro lado, especialistas não recomendam o teste para pessoas saudáveis que desejam apenas avaliar o risco futuro da doença.

Exame pode facilitar o diagnóstico

Os novos testes também oferecem uma alternativa menos invasiva em comparação com alguns métodos tradicionais.

Até recentemente, os médicos dependiam principalmente da análise do líquor ou de exames de imagem, como o PET amiloide, para investigar determinados biomarcadores. A coleta do líquor exige uma punção lombar, enquanto o PET depende de equipamentos especializados e apresenta custo elevado.

Nesse cenário, o exame de sangue pode facilitar o acesso à investigação, especialmente em cidades que não contam com grandes estruturas médicas.

Tratamentos exigem diagnóstico precoce

Além de facilitar a investigação, o diagnóstico mais rápido pode ajudar médicos a avaliar tratamentos nas fases iniciais do Alzheimer.

A Anvisa aprovou dois medicamentos dessa classe no Brasil: lecanemabe (Leqembi) e donanemabe (Kisunla). Os medicamentos atendem pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve, conforme os critérios de indicação.

Ainda assim, o médico precisa avaliar cada caso individualmente. Portanto, quem apresenta perda de memória ou outras mudanças cognitivas deve procurar atendimento médico antes de realizar qualquer teste.

Em resumo: o exame de sangue representa um avanço importante na investigação do Alzheimer, mas não funciona como teste de rastreamento para pessoas sem sintomas e não substitui a avaliação médica.

Redação Fatos Fontes

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