Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) vai ampliar a oferta de medicamentos trombolíticos na rede de urgência e emergência. A medida inclui as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192).

A iniciativa busca facilitar o acesso ao tratamento de pessoas com Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico. O presidente da República sancionou a medida nesta quarta-feira (2), após a aprovação da legislação que prevê a ampliação do atendimento.

Os trombolíticos ajudam a dissolver coágulos que bloqueiam os vasos sanguíneos do coração ou do cérebro. Dessa forma, o medicamento pode restabelecer a circulação e limitar os danos provocados pela falta de sangue e oxigênio.

Além disso, o atendimento rápido aumenta as chances de sobrevivência e pode diminuir o risco de sequelas. Por isso, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforça que, nos casos de infarto e AVC, cada minuto conta.

Tratamento rápido pode salvar vidas

Nos casos de infarto, a equipe médica pode indicar o trombolítico principalmente quando a angioplastia, procedimento que desobstrui as artérias, não está disponível dentro do tempo recomendado.

Assim, o paciente pode receber o medicamento enquanto a equipe organiza a continuidade do atendimento em outro serviço de saúde.

No AVC isquêmico, o tratamento também exige rapidez. O coágulo bloqueia uma artéria do cérebro e reduz o fluxo de sangue e oxigênio na região. Portanto, quanto mais cedo a equipe identifica o problema e inicia o tratamento adequado, maiores são as chances de reduzir os danos.

Comitê acompanha a ampliação

Atualmente, os protocolos do SUS já orientam o diagnóstico e o tratamento do infarto e do AVC, incluindo o uso de trombolíticos nos serviços de urgência e emergência.

Entretanto, gestores locais ainda realizam a aquisição desses medicamentos. Para ampliar a disponibilidade em todo o país, o Ministério da Saúde criou um Comitê de Acompanhamento da Implementação das Linhas de Cuidado dos Agravos Cerebrovasculares e Cardiovasculares Tempo-Dependentes.

O grupo vai analisar as necessidades da rede pública e propor medidas para facilitar o acesso aos medicamentos. Além disso, deverá acompanhar a qualidade da assistência oferecida aos pacientes.

Segundo o Ministério da Saúde, o comitê também reunirá representantes das sociedades de especialidades para estabelecer diretrizes e acompanhar a implementação das medidas em todo o Brasil.

Brasil registra milhares de casos

O Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano. Além disso, o SUS contabilizou 292 mil atendimentos por AVC em 2025. Desse total, 218 mil casos envolveram AVC isquêmico.

Nas UPAs, as equipes podem realizar o diagnóstico, avaliar cada caso e iniciar o tratamento com trombolíticos quando houver indicação médica.

O Samu 192 também pode administrar o medicamento após a avaliação da equipe de saúde. Para isso, o serviço conta com unidades de Suporte Avançado de Vida habilitadas.

Atualmente, 102 unidades do Samu 192 possuem habilitação para oferecer esse atendimento. O Ceará concentra 28 unidades, seguido por Minas Gerais, com 22; Sergipe, com 16; Rio Grande do Norte, com 13; Bahia, com 12; São Paulo, com nove; e Paraíba, com duas.

Em 2025, as equipes do Samu 192 realizaram 861 aplicações de trombolíticos em todo o país.

Com a ampliação da oferta, o Ministério da Saúde pretende agilizar o tratamento e melhorar a assistência aos pacientes com infarto e AVC isquêmico. Afinal, nesses casos, tempo significa mais chances de preservar vidas e reduzir sequelas.

Redação Fatos Fontes

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